domingo, 1 de abril de 2012

UFRGS: O 4G da discórdia

TELEFONIA
O uso dos aparelhos celulares por longos períodos é um dos malefícios apontado por Alvaro Salles, coordenador de pesquisa sobre os efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos

Telefonia Implantação do novo sistema na capital gera discussão acerca dos riscos à saúde


Entre as melhorias da cidade para a Copa de 2014, existe a possibilidade de implantação do sistema de comunicação 4G na capital. Tramita na Câmara de Vereadores o Projeto de Lei 3.279/2011, prevendo alterações na atual legislação sobre a instalação de Estações de Rádio-Base (ERBs) para telefonia celular em Porto Alegre. O projeto propõe eliminar a exigência da distância de 500 metros entre as ERBs instaladas em torres e de 50 metros dos imóveis que abriguem hospitais, escolas e creches, como também eliminaria a necessidade de licenciamento ambiental.


Interesses econômicos - O professor da Engenharia Elétrica da UFRGS Alvaro Salles afirma veementemente: “Não precisa, absolutamente, alterar a lei atual de Porto Alegre para o 4G funcionar. A regulamentação não impede que se coloquem antenas, por exemplo, em estruturas já existentes”. E, para completar, comenta a existência de uma questão importante que não está sendo dita. “Eu sou da fronteira, e lá diziam assim: às vezes, o quero-quero canta num lugar, mas o ninho está longe. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, existe uma dívida grande das empresas de telefonia. É muito dinheiro, então parece que uma das razões fortes pra tentarem mudar a lei é porque depois fica muito mais difícil para o MP e a prefeitura cobrarem esse dinheiro”.

Outro ponto que pressiona a discussão é a necessidade de novos aparelhos para se poder usufruir de serviços diferenciados disponíveis no sistema 4G, como transmissão de voz, dados e imagens em alta velocidade. Os celulares 3G continuarão em operação, mas o acesso à nova tecnologia será possível somente com a compra de telefones compatíveis, que impulsionariam o lucro para as empresas. No entanto, Salles adverte: “Tem que haver uma quebra de paradigma. A tecnologia não deve ser melhorada ao custo do prejuízo da saúde”.



Má utilização

A quebra de paradigma a que o docente se refere é utilizar a telefonia móvel só quando comunicações fixas não forem disponíveis, para evitar a exposição a efeitos não térmicos. O coordenador da pesquisa da UFRGS sobre os efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos destaca que há mais de 40 anos estão comprovados os efeitos térmicos (de curta duração, agudos, com alta intensidade por curto período de tempo), que causam um aquecimento excessivo nos tecidos.

Recentemente, os estudiosos se sentiram desafiados a provar os riscos dos efeitos não térmicos que envolvem baixo nível e longo tempo de exposição. Esse é o caso de quem reside próximo a uma Estação de Rádio-Base. “Essetipo está fartamente documentado na literatura científica internacional”, avalia o professor.

Salles relata que as pesquisas científicas têm demonstrado problemas sérios em baixo nível de exposição. “São vários os tipos de câncer, como a leucemia. Em termos de câncer cerebral, já existem estudos epidemiológicos coordenados pela própria Organização Mundial da Saúde (como o projeto Interphone).” Por outro lado, ele cita como exemplo uma pesquisa na Alemanha, na cidade de Naila, que mostrou um aumento de três vezes na incidência de vários tipos de tumores malignos em pessoas que habitavam um raio de até 400 metros em torno dessas torres, em comparação com aqueles que moravam mais distantes. Já em Netanya (Israel), foi realizado um estudo com a distância de 350 metros. “Como diminuiu o raio, o nível de incidência aumentou de três vezes o desenvolvimento de câncer para 4,5 vezes. Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais mostrou também um aumento substancial no desenvolvimento de tumores malignos em habitantes cujas residências se situavam a até 500 metros em torno das Estações de Rádio-Base de Belo Horizonte. Isso é importante porque no Brasil existem mais de 53 mil estações. Só em Porto Alegre, são 663 ERBs, segundo dados do site da Anatel em 27 de fevereiro.”

Em outra frente, o professor Salles enfatiza que os telefones celulares estão sendo atualmente mal utilizados, quando operados encostados à cabeça dos usuários. “As pessoas deveriam sempre utilizar fones de ouvido, mantendo o aparelho afastado de qualquer parte do corpo, visando reduzir os riscos à saúde.”




Tecnologia poderá ter regras próprias


Em 14 de fevereiro, os promotores de Justiça do Meio Ambiente de Porto Alegre Alexandre Saltz e Carlos Paganella participaram da reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara de Vereadores, quando foi discutido o Projeto de Lei 3.279/2011. A reunião da Cosmam foi presidida por Beto Moesch. O autor do projeto, o vereador Airto Ferronato, admitiu estudar uma emenda que mantenha a lei anterior em vigência. Outra emenda pode reforçar a necessidade de licença ambiental para as antenas e estações. Segue a entrevista concedida por Alexandre Saltz ao Jornal da Universidade:

É possível promover a implantação do sistema 4G na cidade sem alterar a legislação já vigente em Porto Alegre?

Alexandre Saltz – Sim, é possível. A implantação da tecnologia 4G tem bases técnico-operacionais diversas das demais, pelo que poderia ter um regramento próprio, que não alterasse o vigente em Porto Alegre.

Quais os principais pontos de alteração presentes no projeto em tramitação e quais as suas consequências?

Saltz – O primeiro ponto é justamente a necessidade de mudar a lei atual para implantar uma nova tecnologia. O segundo, a redução da proteção, derivada da diminuição de alguns padrões hoje vigentes, como a redução da distância das ERBS de escolas, hospitais, clínicas... O terceiro, a concessão da licença ambiental, se, no prazo de 90 dias, não houver manifestação do poder público. O quarto, a possibilidade de que, com as alterações, sanções hoje vigentes possam ser desconstituídas – fato que determinará a perda de receita na ordem de várias centenas de milhões de reais. Por último, a possibilidade de regularização de ERBS hoje ilegais.

Uma das críticas feitas ao projeto é que a mudança da lei abriria um precedente para o perdão de dívidas de centenas de milhões das operadoras de telefonia. Elas seriam provenientes de multas sobre o quê?

Saltz – São basicamente as multas diárias e as derivadas dos processos administrativos que existem contra as operadoras porque elas não regularizaram as ERBS no momento adequado. Também há a possibilidade de descriminalização, pela incidência de lei mais benéfica, de fatos praticados pelas operadoras que fizeram funcionar as ERBs sem licença ambiental.

Qual é a preocupação do Ministério ao intervir nessa questão? Proteger a população dos riscos à saúde que a instalação irregular das antenas pode acarretar?

Saltz – A preocupação do MP decorre da sua missão constitucional. Além do retrocesso social e da potencialidade de riscos à saúde e ao meio ambiente, há indícios de ilegalidade e de inconstitucionalidades graves no Projeto de Lei. A aprovação de uma norma nessas circunstâncias criará insegurança jurídica e grave confusão, além de criar odioso privilégio a grupos econômicos que descumprem a lei há anos.


Tese de doutorado apontou efeitos nocivos da radiação no DNA de cobaias



O professor Amâncio Romanelli Ferreira finalizou o doutorado em Ciências Biológicas (Bioquímica) na UFRGS em 2006. Sua tese na área de Bioeletromagnetismo detectou a quebra cromossômica do DNA de hemácias em ratos e em planárias irradiados. “Pesquisas realizadas com frequências muito altas (como as usadas em telefonia) podem afetar tanto o DNA quanto outras biomoléculas”, explica o biólogo. Com tantas Estações de Rádio-Base espalhadas pela cidade, ele diz que “estamos fisicamente embebidos” por campos eletromagnéticos.

A fim de testar os possíveis efeitos biológicos desses campos, separou ratas gestantes em duas gaiolas. Em uma, as ratas foram irradiadas durante toda a gestação por um aparelho celular (834 MHz), com sua antena distante 40 a 50 cm dos animais, enquanto a outra gaiola, sem a irradiação, servia de controle. Quando os filhotes nasciam, Ferreira analisava o sangue deles, verificando a existência de indicadores de estresse oxidativo (relacionado aos radicais livres) e de sinalizadores de dano cromossômico (por exemplo, a formação de micronúcleos nas hemácias, que normalmente são células anucleadas). Ele constatou um aumento de 150% na formação de micronúcleos, tipo de dano que pode alterar a síntese de enzimas, prejudicando o sistema imunológico.

Segundo o pesquisador, estudos também associaram a proximidade com campos eletromagnéticos a transtornos de atenção, depressão e dores de cabeça.



Fonte:
UFRGS: JORNAL DA UNIVERSIDADE
ANO XV , NÚMERO 147, ABRIL DE 2012
Jornalista Caroline Silva
http://issuu.com/jornaldauniversidade/docs/ju_147_-_abril_2012



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Radioatividade: o debate sobre doses baixas


Para a maior parte dos especialistas de radiação, o risco de desenvolver câncer é proporcional à dose de radiação recebida. Nenhum efeito limiar é essencialmente linear. Daí o nome deste modelo, linear sem limiar (LNT para Linear Sem Limite-em Inglês). Em outras palavras, é melhor evitar qualquer radiação ionizante, por menor que seja. Este modelo simples apresentado em  2005, é centro de uma controvérsia entre a Academia Francesa de Ciências e os EUA: o primeiro rejeitou a LSA, enquanto o segundo publicaram uma extensa revisão da literatura mostrando a sua validade.

O LNT é novamente o centro de um acalorado debate com a publicação de trabalho altamente controverso na Proceedings of the National Academy of Sciences ( PNAS ). Eles argumentam que o LNT é infundada, ea probabilidade dedesenvolver câncer após exposição a doses baixas seria praticamente zero: o primeiro risco só aparecerão depois de cruzar um "limiar".

O caso é ainda mais sensível do que outros estudos recentes têm mostrado que a radiação muito baixa durante mamografias repetido induzir a "quebra" no DNA das células da mama, a reparação não parece ser necessariamente prestados em mulheres jovens com predisposição familiar para desenvolver câncer de mama (Le Monde de 22 de Outubro de 2011). Com grande cautela, os autores argumentam que esses "quebra" não poderia ser reparado, em uma fração pequena da população, iniciar tumores. Um estudo epidemiológico recente sugere, por sua vez uma maior incidência de câncer no sangue em crianças que vivem perto de instalações nucleares ( Le Monde , 13 de Janeiro) ...

Para buscar ruído no LNT, pesquisadores dos EUA têm usado um método de imagem, a fim de "contar" pequenas falhas que podem ocorrer no DNA de células de mamíferos irradiados. Este método permite visualizar no núcleo da célula, pequenas manchas fluorescentes sob o microscópio, como muitos interpretaram como quebras no DNA.

Desenvolvido em 2003, esta técnica de imagem em si não é original."Normalmente, essas fontes têm radiobiologists pequena luz a olho nu, em um determinado momento - geralmente de meia hora ou um horas após a irradiação de células , explica Sylvain Costes, pesquisador do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (California) e primeiro autor deste trabalho. Mas ao fazer isso, nós "taxa" uma parte de quebras que ocorrem, como faz não conta para a cinética do processo. Se você olhar para meia hora após a irradiação, que tinha aparecido breaks foram reparados e já desapareceram, enquanto outros ainda não apareceram. "

Os autores desenvolveram um modelo de simulação de bioinformática destas cinéticas para tentar a ter uma melhor ideia do número total de interrupções causadas por radiação mais ou menos importante ... "O que vemos então é que o número total de interrupções não aumenta linearmente com a dose recebida " , diz Costes. Quanto maior a dose, menos radioatividade parece ser eficaz: "Com uma dose de 0,1 cinza é obtido entre 35 e 50 focos por célula por unidade de radiação, e com dois tons de cinza, temos entre 15 e 20 casas por célula por unidade de radiação " , disse Costa. Além disso, em altas doses, as famílias "aparecem mais rapidamente, são mais brilhantes e são mais persistentes" , diz o biofísico.

Como interpretar esses resultados? "Nossa interpretação é que essas fontes de luz não podem realmente visualizar as quebras de DNA, mas "centros de serviços", no qual eles estão sendo montados, diz Costes. A visão convencional é que quando o DNA está danificado, proteínas vêm até a pausa para o reparolocalmente Nossa interpretação -. uma interpretação que é - é, pelo contrário, as quebras de DNA são agrupados em "centros de serviços", que são focos verdadeiramente fluorescente que pode ser visto em nossas células irradiadas. "
Quando aumenta a dose de radiação, o dano ao DNA são muito importantes e várias pausas ocorrem no mesmo "centro de serviços". Portanto, há poucos agregados familiares com o aumento da dose, mas eles são mais intensos, aparecem mais rapidamente e durar mais tempo. Daí a interpretação que os reparos são ainda mais perigosos quando o centro de reparo de DNA paratratamento de fraturas múltiplas simultaneamente. O que aumentaria o risco de rearranjos entre dois cromossomos, um precursor fenômeno de câncer. Se negligenciarmos a resposta sistêmica do organismo capaz de eliminar esses erros, a sobrevivência de células com defeito reparação pode aumentar não-linearmente, quando o risco de câncer, diz Costes.

A prova não convence a todos, longe disso. "O problema é que os marcadores usados aqui não são uma indicação da qualidade da reparação de danos ao DNA, ou provavelmente esta qualidade reparo que está envolvido na iniciação do câncer " , e os temperamentos Radiobiologist Foray Nicolas, Research (INSERM) no Centro de Pesquisa sobre o Câncer, em Lyon.

Stéphane Foucart
Fonte:
http://abonnes.lemonde.fr/planete/article/2012/01/13/radioactivite-debat-sur-les-faibles-doses_1629090_3244.html
Traduzido pelo Google Translator